quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Primeiro
Eu conheço a Suely há pelo menos uns quinze anos, ou mais se bobear. A gente amadureceu juntas e sempre tivemos muitas coisas em comum. Principalmente a igreja do bairro que frequentávamos todos os domingos.
Crescemos em uma religião evangélica bastante estrita e sempre fomos felizes assim. Nossas brincadeiras eram sem a menor malícia e nem tínhamos tanto contato com o mundo exterior. Suely com suas lentes multifocais que recobrem seus olhos castanhos, sempre foi e sempre será como uma irmã para mim.
Com ela compartilhei as emoções do primeiro amor frustrado por um garoto da igreja que eu achava lindo. Essas coisas de adolescente e que hoje, tantos anos depois, penso que tive sorte em não ser correspondida. Ela também me viu conseguir meu primeiro emprego, meu primeiro namorado. E tudo o mais que veio depois que já não era a primeira vez.
Suely também compartilhou sua vida comigo. Eu sempre soube de tudo que lhe passava, seus sentimentos e pensamentos. As vezes ela nem precisava contar muito, eu já sabia o que ela pensava.
Até que Suely começou a sair com um rapaz. Seu primeiro namorado sério depois de tantos anos. Foi tudo muito repentino. O Marcelo a levava para passear, viajar, ia buscá-la no trabalho algumas vezes. Parecia um rapaz super apaixonado pela joia preciosa que havia encontrado.
Não vou dizer que eu não gostava dele, porque é mentira. O cara era gente boa sim. Sua família era do bem, da mesma igreja, embora ele não frequentasse muito. O namoro foi durando no tempo até que um dia Suely apareceu grávida.
Foi um susto para todo mundo. Para a família religiosa, para os colegas de trabalho que não eram evangélicos, mas que ao conhecer a história deles, ficaram chocados. A partir daí Marcelo foi se afastando da Suely e o bebê nasceu de pais separados.
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